21 | Susana trinta trinta

19Jul10

Depois de dois ou três anos dormindo nas profundezas escuras onde talvez fiquem as lembranças esquecidas ou os conhecimentos desconhecidos, ergueu-se retumbante de volta à vida e devolveu-me a chance de vencer. A senha era mesmo Susana trinta trina. Achei uma ironia a presença desse número de traição.

Foram trinta as moedas de ouro pagas à Judas. E como Judas, Susana traiu-me apesar dos beijos. Traiu-me apesar dos abraços, dos carinhos, dos passeios. Apesar dos meus avisos, da minha confiança e da minha desconfiança. Mas se disputávamos, se nos agredíamos, já deveria desconfiar que essa era uma arma válida.

Graças à senha, a vitória era novamente possível; posto que bem mais magra, cheia de casualidades, era enfim uma nova chance para vencer. Logo que várias mensagens dispuseram-se à minha frente, descobri que havia uma explicação para a súbita angústia que eu sentia. Eles estavam juntos naquele exato instante.

Combinaram de ir ao cinema, naquele da rua Augusta. Ela esperou por ele tomando um chá ou um mate. Fui tomado de raiva, mas também de força. Teria a chance de ofendê-la livremente, descontar o estado de merda em que me sentia e forçá-la a explicar o que eu sabia que era inexplicável. Afinal, torturas valiam pontos.

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